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paisagemviva2

paisagemviva2

Polí... quê?????? :(

15
Jul08
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"ANTES E DEPOIS DE MAIAKOVSKI


Maiakovski (1893-1930) Poeta russo 'suicidado' após a revolução de
Lenin… escreveu, ainda no início do século XX:

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Depois de Maiakovski…


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...

Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.



Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...

Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007



Sócrates, logo no dia da posse, atacou os farmacêuticos...
Eu não disse nada, porque não sou farmacêutico.
A seguir atacou os magistrados; também nada disse, porque não sou
magistrado.
Depois foi aos médicos e enfermeiros. Também nada disso é comigo.
A seguir congelou as carreiras dos funcionários públicos. Quero lá eu
saber, nem sou manga de alpaca.
Maltratou os polícias, os militares, os professores... os padres
também não escaparam!
Aumentou os impostos.
Aumentou a idade da reforma, a insegurança nas ruas, nas escola e até
nas nossas casas.

Ah! Mas criou 'as novas oportunidades', 'o divórcio', a insegurança, o
crime, a violência, os 'canudos' de férias e domingos.

Hoje bateu à minha porta com a Lei da Mobilidade e atirou-me para o
desemprego.
Já gritei e ninguém me ouve, até parece que a coisa só me afecta a mim.


O que os outros disseram foi depois de ler Maiakovski.
Incrível é como, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão
desamparados, inertes e submetidos aos caprichos da ruína moral dos
poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as
instituições e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao
silêncio: porque a palavra há muito se tornou inútil…

Até quando?..."
Paisagemviva

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